Pedro Turra: Juiz vê 'padrão de comportamento violento' e risco de obstrução ao tornar ex-piloto réu por homicídio; saiba detalhes da decisão
22/02/2026
(Foto: Reprodução) O adolescente Rodrigo Castanheira morreu 16 dias após ser agredido pelo piloto Pedro Arthur Turra Bassos.
Reprodução/TV Globo
Ao receber a denúncia do Ministério Público contra o ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, pela morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, a Justiça do Distrito Federal afirmou que há indícios de um “padrão de comportamento violento” e mencionou possível tentativa de interferência nas investigações.
🔎 Com a denúncia aceita pela Justiça, Pedro Turra se tornou réu em uma ação penal. O processo segue com a apresentação da defesa dos acusados e a fase de produção de provas, até a realização do julgamento com a sentença.
O g1 teve acesso à decisão judicial, que detalha os argumentos usados pelo juiz para manter a prisão preventiva e dar andamento ao processo como tentativa de homicídio doloso.
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Na decisão, o juiz André Silva Ribeiro cita outras ocorrências policiais envolvendo Pedro Turra e afirma que os registros indicam reiteração de condutas agressivas.
“A existência de outros episódios recentes de agressões físicas protagonizadas pelo denunciado [...] evidencia um padrão de comportamento violento e o desprezo reiterado às normas de convivência social, demonstrando que a liberdade tem servido como estímulo à continuidade da prática delitiva", diz o juiz.
Além da agressão em janeiro contra Rodrigo Castanheira, os episódidos de violência citados pelo juiz são:
uma briga em uma praça de Águas Claras, em junho de 2025 (registrada naquele mês);
a denúncia de uma jovem que afirma que Pedro a forçou a ingerir bebida alcoólica e torturou ela com um taser, quando ela ainda era menor de idade;
e a agressão contra um homem de 49 anos em uma briga de trânsito.
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Outro trecho da decisão trata da possibilidade de interferência na investigação. O juiz aponta que há indícios de tentativa de “alinhamento de narrativas”, o que poderia comprometer a apuração dos fatos.
“Os indícios de tentativa de interferência nas investigações mediante alinhamento de narrativas comprometem a busca pela verdade real e revelam disposição para obstruir o regular andamento da justiça” , afirma o texto.
Nos depoimentos à Polícia Civil, alguns amigos de Pedro Turra que estavam no local disseram ter visto o adolescente manuseando um "canivete" minutos antes do início da briga.
O item, no entanto, não aparece nos vídeos de câmeras de segurança obtidos pela polícia.
Relembre
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Pedro Turra agrediu Rodrigo Castanheira, de 16 anos, em 23 de janeiro em Vicente Pires, no Distrito Federal. O adolescente morreu após 16 dias internado em estado gravíssimo.
Pedro Turra cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciária da Papuda, desde 2 de fevereiro. Na tarde desta quinta (12), o Tribunal de Justiça do DF negou seu pedido de habeas corpus.
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Com a morte de Rodrigo, o MP reclassificou o crime cometido por Pedro Turra, inicialmente investigado como lesão corporal gravíssima, para homicídio.
Além da condenação criminal, o MP pediu que Pedro Turra seja obrigado a pagar R$ 400 mil por danos morais à família da vítima.
A defesa do ex-piloto Pedro Turra disse que não vai se manifestar sobre a denúncia. Já a defesa do adolescente Rodrigo Castanheira alega que o soco dado por Pedro Turra foi a causa da morte.
Ao g1, a Polícia Civil disse que foi solicitado à defesa de Rodrigo que seja feito um pedido formal para que o médico do Instituto Médico Legal (IML) analise se as lesões são compatíveis ou não ao apresentado pelo laudo médico.
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